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Uma balada para o Ano Novo
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Uma balada para o Ano Novo

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Por Thomaz Antonio Barbosa *

Então é Natal, e as coisas não aconteceram como você gostaria e, em um piscar de olhos, o Ano Novo está chegando.  Ocupamos-nos demais com a rotina, com a inércia dos tempos, repetida em cada dia deste ano que está indo embora, de freios puxados, correndo no mesmo lugar.

A guerra não acabou, talvez o diálogo.  Na capela da minha rua nem sinos batem.  Pegamos os filhos na escola, nos importamos em transportá-los para casa, mas não para o mundo adulto.

Normalmente é assim, no final do ano bate a melancolia e falamos de nossas derrotas.  Porém, sejamos justos, no que está indo amamos, brigamos, ganhamos, perdemos, experimentamos e isso importa muito, pois fizemos história.  Não sei a quem vai espelhar, o que vai ensinar, mas os nossos feitos não cabem em uma enciclopédia.

Perdoar não é tarefa fácil, mas dores caem no esquecimento, porque no Ano Novo e, como disse novo, a gente precisa correr pelo menos para repetir o ano passado.

Não seria a day in the life  tão interessante sem penny lane por mais que de barro, de sapê ou de terra batida.  Por isso trilhar é fundamental para quem se globaliza com o tempo, para quem é moderno com as palavras, com as orquídeas da serra.

Contudo, deixemos todos ir e iremos juntos na hora certa, na hora que for, quando não tiver mais dinheiro, nem roupas de grife, nem desejos efêmeros. Todavia, que não nos falte oceanos, a ternura na hora do jantar, pão na mesa do banquete e hortelãs na varanda.

Quem não gostaria de viver um amor inesquecível, como o de John e Yoko, uma amizade comparável a de Mickey e Donald?  Quem não gostaria de dar flores à sua tia mais velha, à sua avó que se foi bem no ano que você estava longe?  Quem não gostaria de cantar na chuva com Gene Kelly, de uma despedida em Las Vegas com Nicolas Cage e de dançar com Fred Astaire, ouvindo Joshep Williams, com um “Quinta de Paços” na sala escura, morna?

Mas, é Natal, e Papai Noel não entra em todas as casas – na Amazônia não tem chaminé – e ele deixa de entrar exatamente naquelas que mais precisam, nos lagos, nos igarapés distantes. Barracos não têm lareiras, caboclos não comem nozes e eu não sei se renas voam e se trenós se sustentam no ar.  De certo é que não neva no sertão e no cerrado.

Como também é verdade que as pessoas na rua continuam órfãs de um amor que não se mostra, de uma fraternidade que se esconde, de uma solidariedade presa no trânsito das relações que não se aprimoram.  Meu corpo arde, minha alma ainda aguenta, porém, sinto que o tempo não espera mais de mim outros verões sem sol.

Seremos felizes no próximo ano, de mochilas nas costas, de garfos na mão, sem clausuras e com muita força para crescer um palmo por dia e até dormindo teremos disposição para sermos o que ainda não fomos, porém, é nosso dever ainda.

Vamos guerrear sem trégua, atacar a maledicência, a ânsia, o nervosismo, os males que nos atemorizam; venceremos o ambiente, nossas fraquezas e nossos adversários em um salto de consciência, a de que se expressar é preciso, se comunicar é urgente, que viver um amor é necessário e que pensar livre é fundamental nos tempos que se iniciam.

Ler um livro não é tarefa difícil, ouvir boa música é sublime. Com a minha subjetividade diminuta quero aguçar sua sensibilidade. Quero tocar em você com minhas frases sem nexo. Ora, quem não me ama que se dane, pois o mundo me acolhe e seremos felizes com nossas incertezas e questionamentos!

Que no novo ano não nos falte tempo a perder, que tenhamos muito para nós, que eu tenha para você; que a dor seja menor que a paixão, que o meu medo, à crença. E a quem se foi deixemos ir em paz sem apegos, o egoísmo não pode superar o amor.  E se formos, iremos felizes, sem cuspir na estrada. Nada é intransponível, nem o tempo. Que saibamos lidar com isso nos dias que nos batem à porta!

…Eu fiz este artigo com a intenção clara de você guardar na parede e ler de novo no próximo inverno, como se já tivesse lido no ano passado. Good night, daughters!

 

* O autor é especialista em contabilidade gerencial e controladoria, MBA em marketing, mestrando em ciências empresariais na Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal

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