Home Destaque Jornal que não consegue derrubar um secretário não tem força nem verdade
Jornal que não consegue derrubar um secretário não tem força nem verdade
2

Jornal que não consegue derrubar um secretário não tem força nem verdade

0
2

O episódio envolvendo o secretário de Estado da Fazenda (Sefaz), Afonso Lobo, e o jornal Diário do Amazonas ilustra muito bem o momento porque passa a mídia tradicional, principalmente os impressos.

Em menos de uma semana, o impresso dedicou três manchetes contra o homem que possui a chave do tesouro estadual e, ao contrário do que propõe o matutino, o bombardeio com munições pesadas apenas o fortaleceu na função.

Sem entrar no mérito das denúncias da empresa e das acusações, em contra-ataque, feitas por Lobo ao dono do Diário, Cyro Anunciação, a querela ressalta a máxima de que “jornal que não derruba um secretário não tem poder”.

Esse mesmo Diário do Amazonas, noutro momento, com apenas uma manchete, em 2003, derrubou o braço direito do ex-governador Eduardo Braga (PMDB).

Nesse mesmo ano, o impresso também conseguiu repercussão geral com a famosa “compra do terreno de Santa Etelvina”, que custava R$ 400 mil num mês e três meses depois havia sido negociado pelo governo a R$ 13,1 milhões.

Àquela época, o matutino ainda era um acanhado jornal, afastando-se da cobertura policialesca para ingressar no público formador de opinião.

Hoje, porém, 13 anos depois, a mídia tradicional, antes controlada por um restrito grupo empresarial, perdeu força para a polifonia proporcionada pela internet.

Os atores que antes precisavam do mesmo espaço para se defender agora têm à disposição a nova plataforma de comunicação, mais eficiente, instantânea e imediata e com alcance infinitamente maior do que o papel, por exemplo, que se arrasta a cada 24 horas para circular suas informações.

Os tempos são outros. Basta ver o que aconteceu na cobertura das eleições em Manaus.

O impresso se definha pelo poder da nova revolução tecnológica que está em curso e que repercute no pensamento e no modo de vida da sociedade, mas seu grau de importância e necessidade não diminui apenas por isso, mas, sobretudo, pelo conteúdo que oferece à sua audiência, que sempre deve estar pautado pela boa apuração, pela ética que se orientar na verdade dos fatos, sem montagens, recortes e interesses particulares obscuros.

Sem contar que querelas particulares não devem mesmo despertar interesse para o coletivo da sociedade.

 

Fotos: Reprodução/Internet

Comment(2)

  1. O papel da mídia é denunciar as irregularidades e os órgãos competentes apurar e tomar as providências. Como a mídia pode se rebelar para derrubar um secretário se as suas faturas de serviços prestados estão nas mãos do acusado?

FAÇA UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close